Uma homenagem a Camillo Pessanha



Uma homenagem a Camillo Pessanha

Era manhã de inverno naquelas terras de além mar, o sol aquecia meu corpo no pátio da Universidade de Coimbra, mais de 700 anos me separam do dia de sua fundação. Quantos haveriam passado por lá ?

Ainda naquela manhã tive a felicidade de conhecer a obra do poeta português Camillo Pessanha, que descansa viva no interior da antiga biblioteca da universidade.

Um de seus sonetos, escrito em 1895, discorre assim:

“Meus olhos apagados
Vede a agua cahir.
Das beiras dos telhados,
Cahir, sempre cahir.

Das beiras dos telhados,
Cahir, quase morrer
Meus olhos apagados,
E cansados de ver.

Meus olhos afogae-vos
Na vã tristeza ambiente
Cahi, e derramae vos
Como a agua morrente”

Enquanto lia os versos centenários de Pessanha meus pensamentos foram transportados no tempo e me vi debruçado no peitoril da varanda da cozinha da casa da chácara.

Eu olhando a água da chuva que corria forte do telhado da “casinha” logo em frente, sempre cair, cair, cair ... e formar poças na terra dura do terreiro e finalmente escorrer até sumir morro abaixo. Era como água morrente, diria o poeta Conimbricense.

Camillo de Almeida Pessanha nasceu em Coimbra no ano de 1867 e passou muito tempo de sua vida em Macau, então colônia de Portugal, de onde escreveu estes versos e faleceu em 1926. Mesmo escrevendo poucas obras literárias é considerado um mestre do simbolismo da língua portuguesa, além de um grande modernista.

Minhas saudações ao mestre.



Marco Aurélio Moraes Rettore
Coimbra, dezembro de 2017

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