A Curva do Rio



A curva do rio

Em carta ao irmão, o Dr. Rui falava da última curva do rio Itapemirim após percorrer por toda a Cachoeiro de Itapemirm. Fazer esta curva do rio, depois do bairro Coronel Borges significava ultrapassar o inimaginável, se desligar das origens e partir para um mundo novo.

O Dr. Rui saiu de Cachoeiro ainda rapaz e foi morar no Rio de Janeiro e se tornar médico conceituado e professor catedrático na capital carioca, isso ainda na década de 30.

Na carta ao meu avô ele conta, para um cachoeirense que vencia a curva do rio, nada mais será difícil de superar em outras terras, nada, além da forte saudade dos tempos de outrora e da vontade de rever a casa da chácara.

Este meu tio-avô, o qual não tenho lembrança de ter encontrado, era muito comentado pela família e tratava com muita simplicidade a vida fora de Cachoeiro. As vezes imagino que suas palavras querem nos mostrar, que o melhor da vida estava antes da curva do rio - ou -  o que se faz depois dela é pouco, diante do que já foi feito antes.

Tenho algo que trago comigo que se assemelha ao Dr. Rui, a vontade de rever a casa da chácara. Assim com fez a ele, a vida me afastou de Cachoeiro e a casa se foi por conta de meu abandono e procrastinação de atitudes.

Sempre que posso viajo através de meus pensamentos a velha Cachoeiro, sinto o cheiro da terra e molho a poeira do quintal com minhas lágrimas de saudade. A curva do rio do Dr. Rui ficou para trás, mas como é difícil navegar em frente.

Marco Aurélio Moraes Rettore
Vitória, 03 de maio de 2017  

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