O Tio Manoel



O Tio Manoel


Não me perguntem porque, mas hoje tive uma forte lembrança do tio Manoel - ou Manel como diria em voz alta a sua esposa, a tia Dina, uma das irmãs de meu avô. Cachoeirense de trato simples e comerciante de raro empreendedorismo. De pouso cigano como um bom mascate, estes meus tios viveram entre Cachoeiro, Rio e Vitória desde mil novecentos e pouca coisa.

Por ouvir dizer, e assumo o risco de estar enganado, que eles moravam em Cachoeiro, na frente da casa de meus avós, no morro de Santo Antônio e tinham comércio na Bernardo Horta. Ali nasceram seus 6 filhos, os quais tive tempo de conviver e apreciar boa companhia.

Moraram no Rio de Janeiro, contava meu pai, que por lá passou uma temporada com eles. Mas, as minhas reais lembranças, começam numa casa que ficava localizada, ali próximo ao colégio Salesiano e posteriormente a casa do Romão.

Assim como a casa da Chácara em Cachoeiro, a casa do Romão transcendia seu espaço no tempo. Por lá existia algo encantador, que seria impossível eu contar nestas poucas e saudosas linhas. A sala estreita e comprida, guardava uma grande TV colorida ao fundo, que servia de entretenimento para família, parentes, vizinhos e transeuntes que se debruçavam sobre o muro baixo.

De portão sempre aberto, a casa era um lar daqueles de antigamente, lugar de receber amigos, de dar abrigo, de refeições fartas, de ficar um pouco ou por vários dias. Lugar de confraternização, festa, harmonia e amor. Me recordo muito dos lanches de sábado a tarde, muita gente bacana reunida no mesmo lugar, gente que eu nem conhecia, gente de querer bem. Tio Manoel e Tia Dina ensinaram que o principal alimento desta vida é o poder de reunir as pessoas por motivo de amizade.

Me lembro do Corcel, que de certa vez viajamos até Cachoeiro. Tinha também o sítio da Ponta da Fruta e os muitos churrascos feitos por lá. Claro que não poderia deixar de mencionar neste texto a “Loja”, assim era referenciada por todos o comercio de material esportivo fundada por ele e família. A Esportiva não era uma simples loja, era um ponto de encontro, era abrigo, local de trabalho e também de passeio. Quem se lembra do tio Eupidio no caixa ?

Apreciador do desporto e amante do futebol, Tio Manoel era flamenguista de coração, paixão que passou para os filhos. Mas o legado de Manoel Mello foi muito maior que este. Para mim, um sobrinho emprestado, ele ensinou que a simplicidade é qualidade, que a atenção e o  respeito às pessoas gera amor e que amar a companheira é sinal de felicidade e longevidade.

Todas as reverências possíveis e um forte abraço para o tio Manel.



Marco Aurélio Moraes Rettore
Vitória, 05 de Setembro de 2017

Comentários

  1. O tio "MANEL" e a tia PERTONDINA (DINA) eu tive a felicidade de conhecer pessoalmente e posso asseverar que o casal tinha o dom de fazer amigos e conquistar o coração de tantos quantos os conheciam. As suas considerações sobre eles devem tê-los deixado muito felizes lá além do arco-iris onde devem estar de mãos dadas, rodeados de anjos que ficam ali ouvindo os causos contados pelo tio Manoel.

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