Sábio conselho
Sábio
conselho
A primavera vem chegando rápido, ainda é possível sentir o frescor
nas noite, mas os dias estão quentes. O verão promete.
A noite de solidão me traz boas lembranças e meu cachorro anda de
um lado a outro da sala, estamos ansiosos.
Lembrei-me dela, que por devoção da mãe tinha nome de santa e por
atitudes próprias se tornou uma. Meu cachorro foi procurar um lugar para
dormir. Com certeza o barulho dos meus pensamentos o perturbara.
Escuto lá fora o burburinho da cidade, é noite de sexta para
sábado. Os mais jovens vivem a profusão de seus hormônios e os mais velhos
descansam da semana difícil. Não vejo mais meu cachorro, dormiu.
Cachoeiro passa pela cabeça, não a cidade de ruas estreitas e
clima quente, mas as pessoas. Quantos sorrisos e lágrimas passaram por lá.
Vila Velha também, suas ruas de terra e a água fria do mar. Nada
mais está em seu lugar de antes.
Tenho me perguntado por que as pessoas são esquecidas e os lugares
são deixados para trás. Se somos felizes, por que ir em frente, se temos o que
precisamos, para que querer mais? Qual o poder que temos ao conduzir a vida?
As horas passam e a aragem fria que invade a varanda indica que é
madrugada, a friagem desperta meu sono. Meu cachorro acordou e veio ver o que
está acontecendo. Seu olhar de reprovação talvez indique que eu deva parar de
escrever e procurar a cama.
Sábio conselho: já é hora
de dormir.
Marco
Aurélio Moraes Rettore
Vitória, 16 de setembro de 2017
Uma descrição tão sutil que parecia que eu estava vendo a cena.
ResponderExcluirCenas de um cotidiano solitário, porém bem acompanhado.
ResponderExcluirEu já tinha comentado mas como ainda não estava inscrita acho que acabou não chegando rsss
ResponderExcluirA D O R E I