Verão em Cachoeiro
Verão em Cachoeiro
Era tempo de verão em
Cachoeiro de Itapemirim.
Da janela da sala eu via o Aquidabã e o murmurinho baixo da cidade.
Meus avós e tios viam televisão na sala e eu e meus primos imaginávamos o dia de amanhã.
Da janela da sala eu via o Aquidabã e o murmurinho baixo da cidade.
Meus avós e tios viam televisão na sala e eu e meus primos imaginávamos o dia de amanhã.
Não sentíamos o calor de
verão da velha Cachoeiro.
Naquele tempo, a pouca brisa da noite embalava as nossas brincadeiras e sonhos.
Naquele tempo, a pouca brisa da noite embalava as nossas brincadeiras e sonhos.
Um carro ou outro subia a rua
13 de maio, ainda de terra batida.
E, no fim do dia, o Tio Mauricio chegava da fazenda de São Pedro com sua caminhonete azul cheia de engradados vazios de aguardente.
E, no fim do dia, o Tio Mauricio chegava da fazenda de São Pedro com sua caminhonete azul cheia de engradados vazios de aguardente.
Todos pulávamos na carroceria
para uma curtíssima viagem até a garagem. Não sei dizer por que, mas naquele
tempo, não era perigoso criança andar sozinho na carroceria.
O trem passava em frente a
casa, o chão tremia, a buzina alta espantava os transeuntes, os carros e nossos
medos. Chegando ou voltando do Rio, o trem nos chamava ao portão só para vê-lo
passar.
Lembro-me também de saborear
o sorvete Maurinho.
O sorveteiro, um negro muito simpático, adentrava o quintal nas tardes quentes de verão e
Vovô Mario ou Vovó Idalina nos permitiam esta farra.
O sorveteiro, um negro muito simpático, adentrava o quintal nas tardes quentes de verão e
Vovô Mario ou Vovó Idalina nos permitiam esta farra.
Sempre me recordo do pique
esconde no entorno da casa da Chácara.
Nunca conheci uma brincadeira melhor do que aquela.
Passávamos horas a nos esconder naquele pequeno paraíso particular.
Nunca conheci uma brincadeira melhor do que aquela.
Passávamos horas a nos esconder naquele pequeno paraíso particular.
Na hora do almoço e no final
da tarde, a minha avó ou a minha mãe me chamavam para entrar. Era hora do
intervalo para as refeições e banho.
Ainda hoje, no silêncio da noite, consigo ouvir, claramente, uma delas me chamando.
Ainda hoje, no silêncio da noite, consigo ouvir, claramente, uma delas me chamando.
Hoje, da minha janela, não
vejo mais a minha Cachoeiro. Mas, quando fecho meus olhos, ainda consigo sentir
o cheiro de minha infância bem vivida.
O meu tempo é hoje. Eu não
vivo o passado, mas o passado vive em mim.
Vitória,
07 Dezembro de 2016
Marco Aurélio Moraes Rettore
Tenho ótimas lembranças de Cachoeiro
ResponderExcluirAquidaba e Bosque
Passar por Cachoeiro e não levar lembranças é impossível. Parabéns.
Excluir