Carta a Minha Irmã




Carta a minha irmã

Curitiba, dias quentes de janeiro de 2019.

O quarto de visita está vazio, todos se foram. Passo em frente a porta e lembro de você e dos outros. A solidão do lugar foi percebida até pela pequena Lillo, a cadelinha passou o dia a cheirar os cantos em busca de companhia.

Até o tempo mudou depois que se foram, agora passa mais devagar. O sol que castigou a maioria dos dias, passou a se esconder por trás de nuvens. A chuva chegou e o vento frio adentra a janela. Procurou você e não encontrou.

As Extremosas continuam a colorir as ruas, a grande maioria são rosas, mas já encontrei uma meia dúzia com flores brancas. As ruidosas maitacas continuam a festejar os cachos de coquinhos que frutificaram no verão. Gosto de ver você passeando pela cidade.

Já não sei mais o que se passa na novela das seis, você não me pediu para ligar a TV. Hoje eu lembrei bem no horário, mas a tela preta continuou estática na minha frente. Você assistiu o capítulo de hoje?

Detesto despedidas, dizer adeus corta meu coração. Me calo, me escondo e me exilo em um canto qualquer da casa. De vez por outra volto ao quarto de visita para recordar e ter saudades. Triste, encontro o abrigo da noite para esconder a falta que todos me fazem.

Falta da presença, falta do sorriso, falta do querer bem, falta de estar por perto para poder chamar, comer o pão quentinho e ouvir sua conversa. Maior que a saudade é a esperança de sua volta. Passa tempo, não deixa a saudade me matar.



Curitiba, 12 de janeiro de 2019

Comentários

  1. Ao menos as extremosas eu ainda carrego comigo, na tela de fundo do telefone celular.

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